"A gente somos inútil" - cantava um conjunto de rock tupiniquim lá pelos anos 80 (ou pelos anos 1980, para aqueles que já se integraram plenamente ao século XXI). Bem, talvez eles tivessem razão, talvez se enganassem, mas uma coisa é certa, seja ou não cantada ao som de acordes rudimentares de guitarras elétricas: nós adoramos uma inutilidade.Eis que a IBM, aquela que já foi sinônimo mundial do mundo misterioso dos computadores, no tempo em que os computadores eram misteriosos, lançou o menor mapa da História: 22 x 11 micrômetros - também chamados, indevidamente, asseguram os doutos, de mícrons. Tal mapa está dividido em pedacinhos de 20 nanômetros quadrados cada um e há meio milhão deles.
Ora, se eu fosse uma bactéria... não, pra bactéria tá muito grande, se eu fosse um vírus tal mapa me seria utilíssimo. Mas, embora a modéstia me impeça de julgar-me mais importante do que esses sujeitinhos minúsculos, os vírus, posso dizer que para mim, e para o resto do gênero humano, o mesmo e supracitado mapa é a coisa mais inútil de que já ouvi falar. Talvez por isso a IBM não seja mais sinônimo de computador.
Mas por falar em bactérias, o jornal do Applied and Environmental Microbiology, dos EUA, publicou estudo afirmando que apesar de toda a esterilização das naves espaciais há uns microbinhos renitentes que insistem em permanecer vivos. Viram, limpar nave espacial não é que nem anúncio de desinfetante de banheiro na TV, onde além de os micróbios morrerem todos entre nanométricos estertores, o vaso sanitário ainda exala um olor que fariz inveja a qualquer campo florido da Arcádia pintado por Poussin.
Primeiro, ao contrário de mim, como são imodestos os cientistas do AEM: ele já consideram Marte como seu environment, ou seja, seu quintal, e estão preocupados que as não tão limpas assim naves espaciais levem uns micróbios para aquele planeta. Ora, senhores, devagar com o andor, vocês não têm dinheiro nem para voltar à Lua, por que já se preocupar com Marte?
Segundo, só vejo em cenário catastrófico possível: se a nave que for a Marte levar na bagagem o tal mapa da IBM (que ela teria vendido para o Pentágono através das tortuosas transações de praxe) e que este ainda uma vez dito mapa caísse em mãos dos micróbios marcianos. Aí seria invasão na certa... da Terra.
Um comentário:
Adorei o desenho, Astrolábio. Muito fofinho. Não deixe de atualizar o seu blog!
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