terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Enquanto isso, no mundo da fantasia...

Todos sabemos do que rola entre o Batman e o Robin, e a senhorita Lane morrerá senhorita. Mas um triângulo com Papai Noel? Por isso é que o velhinho é chamado de Santa nos países bárbaros.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Retrato de uma nação

O que aconteceria à nossa civilização cristã e ocidental se não existissem os EUA? Por favor, não respondam...

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Compartilhar é crime

Você sabe onde fica Shorewood? Você sabe onde fica Wisconsin? Se a resposta a ambas as perguntas foi não, você é uma pessoa de sorte. Não só é bom não conhecer, como é melhor ainda ficar bem longe da cidadezinha de Shorewood, Estado de Wisconsin, EUA.
Na escola secundária do progressivo vilarejo estadunidense, mais propriamente na cantina da lá por eles chamada High School, um garoto que atende (coitado!) pelo nome de Gakaree Garner estava almoçando. Meio embrulhado do estômago, não querendo comer muito, perguntou a seu colega do lado à mesa se ele não queria ficar com seus pedacinhos de galinha. O dito colega, que atende pelo nome menos incomum de Adam Hernandez, inocentemente aceitou. Ele, seu amigo Gakaree, e provavelmente as demais crianças da escola achavam que compartilhar parte do almoço, ou do lanche, com os amigos era coisa comum, normal, mesmo louvável, sintoma de amizade.
Quanta ingenuidade. Ah, mas a América vigia. É sabido que o socialismo ateu, ainda que reduzido a cinzas pela vitória inconteste do capitalismo, não perde uma oportunidade de intrometer-se de forma subreptícia na cada vez mais florescente economia ianque, para não falar no seio cristão da família americana. Quando viu a impudente transferência dos pedacinhos de frango do prato de um garoto para o do outro, o responsável pela cantina imediatamente acusou o desonesto receptador (no caso, o Adam) de roubo e chamou a polícia.
Quando a polícia chegou, mais armada do que os valorosos marines, o chefe da cantina relatava detalhadamente ao subdiretor da escola o nefando crime. Inquirido, Adam Hernandez contou que Gakaree lhe dera os pedaços de frango porque não queria comê-los. Convocado ao inquérito, Gakaree confirmou a história do amigo. Há!, eles pensavam que iam se safar. O garboso homem da lei que lá acorrera, entretanto, declarou: "O almoço do Gakaree é merenda escolar gratuita, fornecida pelo governo federal. É ilegal compartilhar uma refeição gratuita. Você sabia disso, Adam?!" O pobre garoto, ainda que beneficiário da mesma merenda gratuita, mais do que aturdido confessou: "Eu não sabia".
Imediatamente Adam Hernandez foi algemado e levado para a viatura policial, sob o olhar aprovatório do subdiretor da escola. O juiz do município mandou que o fato fosse registrado em sua ficha criminal (?) e aplicou-lhe uma multa de 170 dólares.
Vejam, não foi um wasp balofo, glória da raça humana, quem cometeu esse absurdo de receptar comida compartilhada. Adam Hernandez é mestiço de preto (que nem um tal de Obama), baixinho, magricela, para não falar de seu repugnante sobrenome latino. Mas ainda há juízes em Shorewood! Juízes, xerifes, chefes de cantinas e subdiretores que zelam pela democracia americana. Nenhum escolar da Terra da Liberdade há de compartilhar seu lanche com o coleguinha (menino ou menina) sob o pretexto, evidentemente falso, da amizade. Já foi dito: a América vigia! Daqui a pouco vão querer distribuir pão e peixe à multidão...

terça-feira, 18 de maio de 2010

Inutilitas-inutilitatis

"A gente somos inútil" - cantava um conjunto de rock tupiniquim lá pelos anos 80 (ou pelos anos 1980, para aqueles que já se integraram plenamente ao século XXI). Bem, talvez eles tivessem razão, talvez se enganassem, mas uma coisa é certa, seja ou não cantada ao som de acordes rudimentares de guitarras elétricas: nós adoramos uma inutilidade.
Eis que a IBM, aquela que já foi sinônimo mundial do mundo misterioso dos computadores, no tempo em que os computadores eram misteriosos, lançou o menor mapa da História: 22 x 11 micrômetros - também chamados, indevidamente, asseguram os doutos, de mícrons. Tal mapa está dividido em pedacinhos de 20 nanômetros quadrados cada um e há meio milhão deles.
Ora, se eu fosse uma bactéria... não, pra bactéria tá muito grande, se eu fosse um vírus tal mapa me seria utilíssimo. Mas, embora a modéstia me impeça de julgar-me mais importante do que esses sujeitinhos minúsculos, os vírus, posso dizer que para mim, e para o resto do gênero humano, o mesmo e supracitado mapa é a coisa mais inútil de que já ouvi falar. Talvez por isso a IBM não seja mais sinônimo de computador.
Mas por falar em bactérias, o jornal do Applied and Environmental Microbiology, dos EUA, publicou estudo afirmando que apesar de toda a esterilização das naves espaciais há uns microbinhos renitentes que insistem em permanecer vivos. Viram, limpar nave espacial não é que nem anúncio de desinfetante de banheiro na TV, onde além de os micróbios morrerem todos entre nanométricos estertores, o vaso sanitário ainda exala um olor que fariz inveja a qualquer campo florido da Arcádia pintado por Poussin.
Primeiro, ao contrário de mim, como são imodestos os cientistas do AEM: ele já consideram Marte como seu environment, ou seja, seu quintal, e estão preocupados que as não tão limpas assim naves espaciais levem uns micróbios para aquele planeta. Ora, senhores, devagar com o andor, vocês não têm dinheiro nem para voltar à Lua, por que já se preocupar com Marte?
Segundo, só vejo em cenário catastrófico possível: se a nave que for a Marte levar na bagagem o tal mapa da IBM (que ela teria vendido para o Pentágono através das tortuosas transações de praxe) e que este ainda uma vez dito mapa caísse em mãos dos micróbios marcianos. Aí seria invasão na certa... da Terra.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Na dúvida, atire nos dois!

Você leu Uma breve história do tempo, do Stephen Hawking? Bem, eu não li, e como diria uma pessoa desaforada, não li e não gostei. Afinal, minha gente, física é uma matéria mmuuuiiiitttooo chata. Então, por que eu leria o citado best seller? Só para, como 99% de seus leitores, dizer que li? Passo.
Mas agora o conhecido e contorcido físico inglês nos dá algo bem mais útil do que um livro que pretende divulgar as vagas divagações da física, ele nos dá um conselho: não fale com ETs!
Quer dizer que os ETs são perigosos? São mais adiantados do que nós e estão doidos para acabar com nossa raça? Tá certo, não falarei. Mas os ETs são oblíquos e dissimulados, como já ficou amplamente demonstrado nos Homens de Preto. Como hei de identificar um ET?
Pense bem , eu estou andando pela rua e de repente me vejo defronte a uma criatura disforme que solta grunhidos ininteligíveis bem ao lado do Stephen Hawkins. Qual dos dois é o ET? Em quem eu devo atirar e depois fazer as perguntas?
Vocês dirão que estou sendo mau, indelicado e vulgar, zombando de um homem doente. Sim, sou tudo isso, mas ninguém mandou o tortinho se meter com os ETs. Ele deveria saber que toda pessoa normal prefere um ET a um físico. Então, agora aguenta...

sábado, 24 de abril de 2010

Sempre alerta, garotada

O velho Baden Powell que se cuide.
Lembram daquela velha definição de que o escotismo é um bando crianças vestidas como imbecis comandadas por um imbecil vestido como criança? Bem, parece que o imbecil chefe está ficando meio saidinho. Pois o mais recente caso de problemas advindos da ocultação de casos de pedofilia está ocorrendo entre os Boys Scouts of America, os escoteiros da terra do Tio Sam.
Nos EUA tudo gira em volta de dinheiro. Dizer-se vítima de pedofilia, descobriu-se de uns tempos para cá, dá uma grana federal. Lembram-se do desditoso Michael Jackson? Papais e mamães faziam fila nos portões encantados de Neverland, doidos para deixarem seus pimpolhos à mercê da sanha sensual do esbranquiçado cantor... que, afinal de contas, era inofensivo, no que tange à consumação de violências pederásticas.
Mas o Timur Kykes, líder escoteiro em Portland, Estado de Washington, de inofensivo não tinha nada. Ele caía em cima dos guris diariamente, cumprindo com denodo o que ele achava fosse a boa ação diuturna. Se alguns dos garotos concordavam que a ação era boa, não sabemos, sabemos que pelo menos três botaram a boca no trombone, e não foi para dar o toque de alvorada. Foi para denunciar que Timur (que nome!) lhes ensinara mais do que sobrevivência no mato.
Os chefões dos Boys Scouts fizeram que não era com eles. Resultado: terão de pagar 18 milhões e meio de dólares de multa. Caramba, deve ser o sexo mais caro da história. Uma de suas supostas vítimas, como diria a Folha Ditabranda, receberá um milhão de verdinhas, coitadinho, por causa do Timur ele ficou até viciado em drogas... tá, conta outra. Ele ficou é rico, tudo por causa de uma esfregadinha aqui, uma cutucada acolá. Convenhamos, é um desrespeito com a operosa classe das prostitutas, que aturam timures heteros a vida inteira e mal garantem a própria sobrevivência.

Eu odeio, eu queimo, eu mato, eu explodo!

Outro dia, um blog literário chamava a atenção para as resenhas feitas pelos clientes da Amazon. Bem, algumas delas, destacadas pela autora da postagem, Jeanette Demain, são interessantes:
Bíblia – "Cara, esse livro é chato. Acontece um monte de coisas estranhas e é mais difícil de engrenar do que o Senhor dos Anéis. Esses apóstolos precisam se tocar e contratar um redator". – O que eu posso dizer? O incipiente resenhista está mais do que certo, o santo livro é bastante enfadonho (embora não ouse acreditar, para o bem dos cristãos, que seja tão chato quanto O Senhor dos Anéis, hors concours em sacalidade). O rapazelho ainda deu sorte, ele aparentemente enfrentou o Novo Testamento, fosse o Velho e veria que além de tudo é um livro violento, ilógico, intolerante e imoral sob todos os aspectos. E não se anime não, resenhista, também é chato.
Mas as meninas Brontë, coitadas, não mereciam tanta artilharia. Do Jane Eyre, da Charlotte, disseram: "Uma inútil e infindável descrição. DESCRIÇÃO, DESCRIÇÃO, DESCRIÇÃO. O livro todo é escrito com estúpidas metáforas." Realmente metáfora não combina com literatura, parece... ou será que é o contrário?
Isso não se compara, entretanto, à santa ira com que outro resenhista fulminou Morro dos ventos uivantes, da Emily. "Eu odiei esse livro. Ele só tem pessoas imbecis com problemas imbecis. Eu odiei esse livro. Não entendi nem quis entender. Eu odiei esse livro. QUEIMEM ESSE LIVRO!" Dá pra notar que o indignado leitor (leitor?) queria mesmo era queimar a autora. Na Alemanha nazista começou com os livros e terminou com as pessoas. E essas "pessoas", para a tranquilidade do resenhista anterior, não são metáforas, são pessoas mesmo, ou melhor, foram.
O que será que leva à destilação de tanta raiva via Internet? Será o anonimato? - o resenhista piromaníaco assina apenas: um cliente. Ou será que as pessoas estão mesmo pirando? Bem, devemos levar em conta que tais resenhistas são dos EUA, onde queimar pessoas nunca foi fato que chocasse os cidadãos (leia-se wasps), como sabiam os juízes de Salem e o pessoal do Klan. Queimaram também muita gente no Vietnã e no Camboja. Hoje eles queimam pessoas no Iraque, no Afeganistão e, através da joint venture Israel, na Palestina. Então...

terça-feira, 20 de abril de 2010

Ingrediente exótico

Todo mundo conhece a editora Penguin, aquela dos livros clássicos baratinhos, em inglês. Além da matriz britânica, há filiais em vários países que falam a língua (quase) inglesa.
A Austrália é um deles. Consta que a famosa editora fatura, por ano, cerca de 120 milhões de dólares da terra dos cangurus. Mas este ano ela amargará um prejuízo de pelo menos 20 mil dólares: toda uma edição da Bíblia das Massas está sendo recolhida.
Isto porque um erro tipográfico acrescentou um exótico ingrediente à uma receita de tagliatelli: gente negra moída. Em vez de salt and black pepper, ingredientes comuns em diversos dos pratos de massa ali ensinados, saiu salt and freshly ground black people, ou seja, sal e gente negra recém moída. Sem dúvida um ingrediente exótico, que deve ter deixados os australianos originais, os aborígenes, com a pulga atrás da orelha.
Lembram-se daqueles velhos desenhos animados, dos tempos em que não existia correção política, em que os africanos eram representados como canibais com lábios imensos e um ossinho humano como enfeite de cabelo? Bem, eles estavam errados, os canibais são os outros, os brancos, pelo menos segundo a Pasta Bible da editora australiana.
Recolher a edição, entretanto, não é uma solução adequada, no meu modo de ver. Apenas transformará os exemplares já vendidos em peças de colecionadores. Logo vamos encontrá-los nos ebays da vida. Por falar nisso, acho que vou falsificar alguns e vendê-los nos EUA: a turma da Ku-Klux-Klan (os assumidos e os enrustidos) vai me deixar rico.

domingo, 18 de abril de 2010

Afinal, de quem é a culpa?

Primeiro a Santa Madre Igreja culpou o capeta. Ah, o bom e velho demônio, o Lúcifer, o Belzebu... quando as coisas estão feias, sempre se pode deixar sobrar para ele.
Agora, vem o cardeal Tarcísio Bertone explicar que aquilo que provavelmente levou tantos padres a assediar sexualmente meninos postos sob sua guarda foi o homossexualismo, não o celibato obrigatório dos pastores.
Mais uma vez o porta-voz do papa, Federico Lombardi, que anda tendo de falar mais do que seu falecido xará nos programas dominicais do Sílvio Santos, veio a público para dizer que não é bem assim, você sabe...
Mas Sua Portentosa Eminência Bertone foi bem específico, chegou a ser didático: na verdade foram apenas 10% os casos de pedofilia, os demais 90% foram todos de efebofilia. O quê? Efebofilia? Tucanaram a sacranagem? – perguntaria uma pessoa vulgar. Não, efebofilia é apenas a atração por adolescentes. E daí, douto cardeal?
Concordo que efebofilia não é crime, afinal os adolescentes são sexualmente ativos e, muitas vezes, são eles que buscam os adultos como parceiros. A própria lei brasileira não considera crime que um homem e um menino maior de 14 anos tenham algum envolvimento, desde que este menino não esteja sob a guarda do adulto (pai, tutor, professor, padre, pastor, etc.), o que poderia configurar uma situação de coerção. Ou seja, o menino precisa agir por livre e espontânea vontade.
Só que, Bertone, Lombardi, papa e patota, vocês enfiam na cabeça dos meninos que isso é pecado, que é um tremendo de um pecado que leva direto ao inferno. Então, diletos presbíteros, o que vocês estão fazendo, seja a culpa do capeta, da condição de gay ou da #*%$§, é tortura mental e psicológica contra a garotada. Deixem os gays honestos e sinceros fora disso!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Wiik, o Wii da senilidade

A história foi contada pelo The Sun (ora, por quem mais seria?): No abrigo para idosos Sunrise Home, em Birmingham, Reino Unido, a turma que está mais para sunset abadonou o tricô e os jogos de paciência para aderir ao Wii. Considerando que a idade do pessoal oscila entre 88 e 103 anos, temos séria desconfiança que foi uma estratégia da direção da casa para abrir novas vagas, mas por enquanto o entusiasmo não morreu. Já os velhinhos...

Coro nº 2 - Que desaforo!

Coro dos Meninos de Regensburgo, na Baviera. Dirigido pelo Santo Irmão Georg Ratzinger por trinta anos. Inúmeros casos de abuso sexual contra os garotos agora vêm à tona. Isso é o que podemos chamar de nota dissonante nesse conjunto de vozes angelicais. Leva a crer que os petizes não abriam a boca apenas para louvar a Deus. Comentário do Georg: "Não sei de nada!"
Comentário do blog: Sem comentários!

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Quem fabricou a lua?

A quem pertence a lua? Bem, isto já foi esclarecido, pertence aos namorados, afiança a marchinha de carnaval. Mas foram eles que a fabricaram? Sim, porque segundo o Jornal do Brasil a lua é o satélite artificial da terra. Acreditamos que esse o, artigo definido masculino singular, seja aquele O prolongado que usamos quando queremos destacar alguma coisa entre coisas iguais. Lembram do Obama: "Lula é O cara!" Assim, a lua é O satélite artificial, um satelitão que torna desprezíveis anões todos os seus colegas de artificialidade, sejam os do GPS ou os espiões, os que retransmitem os jogos de futebol ou os que preveem, de maneira um tanto ou quanto míope, o tempo que vai fazer.
Imaginem se o fabricante da lua aparece de repente e reclama sua propriedade. E se ele for um maluco que resolve pintá-la de preto? Ou um rapaz alegre que resolve pintá-la de rosa? Ou um chato que resolva virar o lado escuro para nós e o lado claro para a imensidão sideral? Puxa, eu que vivi até hoje na doce ilusão de que a lua fosse mais natural do que suco de acerola, por causa do JB não dormirei tranquilo, seja qual for a atual fase do nosso robótico satélite grandalhão.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Coro Nº 1 - Sem decoro

Para que não digam que nunca falei de música neste blog, aqui estão comentários sobre dois coros de virtuosíssimo propósito, cantar as glórias de Deus nas cerimônias da Igreja.
O primeiro é o Coro da Capela Giulia (ou Júlia, em português), do Vaticano. Neste coro cantava maviosamente o nigeriano Ghinedu Ehiem. Mas o afinado rapaz não se contentava com emular os rouxinóis, também se portava como passarinhos menos nobres, digamos, os vira-bostas ou os bate-cus.
Durante investigações que a polícia italiana fazia sobre corrupção na construção de obras públicas, o nome do jovem corista veio à baila. Não, o rapaz não estava roubando dinheiro do povo (ou seja, não era da patota do Berlusconi); ele apenas providenciava a satisfação de necessidades não exatamente monetárias de pessoas de alta posição envolvidas nas tramoias (essas sim, tanto as pessoas quanto as tramoias, do mais puro estilo berluscônico).
O engenheiro Angelo Balducci era assim, ó, com o papa polaco, o João Paulo II. Pudera, o homem era mais do que importante, um figurão da direita, obra pública na Itália tinha de passar pelas mãos dele. Tanto prestígio tinha o Balducci junto ao Vaticano que fazia parte dos Cavaleiros de Sua Santidade! O que é isso? Não sei, parece que é uma cruza de cavaleiro Templário com prelado da Opus Dei (e, pelo menos no caso do Angelo, com uns toques de drag queen), que tem por função paparicar o papa em cerimônias importantes.
Ora, o Angelo Balducci, além de gostar de botar a mão no dinheiro do povo, gostava também de botar a mão em algo mais substancial, algo este que costuma estar atachado (para usar um termo informático) a moçoilos robustos e saudáveis. Quem é que arranjava esses rapazes para o Cavaleiro de Sua Santidade levar para a cama? O Ghinedu, claro. O eficiente jovem, agenciando um cantor aqui, um seminarista ali, nunca deixava o cavaleiro sem uma lança para segurar.
Sujou porque a vida sexual alternativa do pilar da Igreja veio a público, junto com as roubalheiras nas obras públicas. Sujou geral, mas até agora só o Ghinedu foi punido: expulso do coro papal. Com o berluscônico Balducci, provavelmente, nada acontecerá.
Falo do outro coro em uma outra postagem.

Menos interessante só o sexo dos anjos

Leio nos jornais que foi publicada mais uma biografia de Gandhi, tendo por título Gandhi - Naked Ambition. O que a distingue das demais é que seu autor, o britânico Jad Adams, focaliza principalmente a vida sexual do Mahatma. Ora, direis... não, não direis nada, a vida sexual de cada um diz respeito apenas a cada um. As pessoas, sejam indianas ou estrangeiras, hindus ou muçulmanas, carnívoras ou vegetarianas, não precisam saber o que Gandhi fazia entre os lençóis - ou em cenários menos ortodoxos.
Além do mais, Gandhi? Desaprovo, mas entendo, que alguém queira saber da vida sexual da Marilyn Monroe, da Vera Fischer, da anorexa Giselle Bündchen. Ou do Mick Jagger, do Chico Buarque, do galã da Globo. Ou mesmo do Rick Martin ou da Ângela Rô Rô. Mas do Gandhi? Não querem também saber da vida sexual dos anjos e dos espíritos de luz?
O livro dá a entender (ou melhor, a resenha do livro, que foi tudo que li) que Gandhi, por estar transando na hora em que seu pai morreu, resolveu libertar-se de todo desejo lascivo e permanecer casto para sempre. Péssimas notícias para a Sra. Gandhi. E péssimo roteiro para uma biografia centrada na vida sexual. Páginas e mais páginas falando de... castidade.
Consta lá que Gandhi fazia questão de tomar banho com a irmã de seu secretário, para demonstrar que nem a nudez feminina, nem o ambiente recluso e sugestivo de um chuveiro, poderiam desviá-lo de seus votos. Bem, aqui a história não está bem contada. Como era essa irmã do secretário? Seria aquilo que os antigos chamavam de um breve contra a luxúria? Seria aquilo que hoje chamamos uma tremenda baranga? Se o era, então, Gandhi, francamente, até eu.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

A violência é a maior indecência

Nas notícias de abusos contra menores, praticados com zelo cristão pelos padres mundo afora, sempre uma coisa se destaca: o aspecto sexual. Entretanto, há outro aspecto igualmente grave, ou melhor, muito mais grave, que as notícias, os comentários, os editoriais hipócritas da imprensa conservadora deixam de apontar: a violência.
Vejam na Irlanda, em que crianças pobres, fossem órfãs, abandonadas ou infratoras, eram esquecidas nos estabelecimentos cristãos, onde sofriam exploração como trabalhadores forçados e castigos físicos intimidadores e traumatizantes. A sociedade joga as crianças no lixo e depois se admira do que acontece com elas.
Na Alemanha, o próprio irmão do papa, o bispo Georg Ratzinger, está envolvido: o coro de meninos de Regensburg, por ele comandado, teve sua cota de meninos submetidos aos avanços eróticos de padres excitados, provavelmente num êxtase puríssimo de luz transcendente. O Santo Irmão logo declarou que não sabia de nada.
Bem, os meninos traumatizados, agora adultos, sabiam. E sabiam também que a disciplina, que garantia o silêncio da garotada, era obtida por meio de agressões físicas, sendo que o irmão do papa era um dos que mais batia nos garotos. Diante dessa denúncia, o Ratzinger local acabou admitindo que batia realmente nos meninos, mas que isto lhe dava um peso na consciência.
Ah, então tudo bem. Os meninos ficavam doloridos, intimidados, revoltados , traumatizados, moralmente feridos por aquela violência praticada em nome do Deus que é dito bondoso, desnorteados pela injustiça daquelas agressões, mas o Santo Irmão ficava com um peso na consciência, então não se fala mais nisso.

terça-feira, 6 de abril de 2010

É doce morrer entre os seios da amada...

Ah, os tabloides ingleses, eles nos fazem ver o mundo como ele realmente é... ou seja, como não gostaríamos que fosse. Frases tolas como é doce morrer no mar, quero morrer no Carnaval, morrer nos teus braços seria o paraíso, etc e tal, perdem imediatamente qualquer foro de veracidade quando confrontadas com um simples e corriqueiro episódio da working class life.
Claire e Steven se amavam, espiritual e sexualmente. Claire, dona de portentosos seios de 40 litros de volume e mais de uma pedra de peso, cada (sim, os ingleses, além de libras, usam pedras para medir a massa de suas crianças, de seus sacos de carvão e, aparentemente, dos seios de suas mulheres), quando sobre o tálamo se entregava às delícias de Eros, sempre acedia aos desejos do Steve, que queria se perder em meio ao latifúndio mamário da amada. Mal depunha Steve a cabeça naquele vale de inconfessáveis promessas, Claire a envolvia com suas tetas robustas e portentosas, apertando o amado com apaixonado fervor.
Eis que um dia, após o mergulho divinal, Steven começa a espernear e dar tapinhas no braço da parceira. Claire pensa lá consigo: o Steve, hoje, está mais excitado do que nunca. De repente Steve para, imobiliza-se, e assim fica por minutos. Clara enfim desconfia. Afasta os seios e encontra Steve hirto, pálido, exangue.
Ela corre a telefonar para Emergência quando ouve uma tosse fraca. Steve abriu os olhos, porém está desnorteado, como em transe. Mas está vivo. Candidamente, depois de recobrar enfim toda a energia vital, o rapaz declara: "Achei que tinha chegado a minha hora, foi de arrepiar!"
Infelizmente o namoro dos dois durou apenas mais uns meses, Steven ficou com medo de fazer sexo de novo. Claire agora pensa em transformar os seios, que são verdadeiros, de motivo de susto em meio de vida, tornando-se modelo e cobrando para exibi-los ao público interessado.
Se você for um deles, procure-a em Blackpool, Lankashire.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Nada como um moralista no governo

Silvio Berlusconi, o Sátiro da Sardenha, resolveu dar uma mãozinha ao Santo Padre. Todos sabemos que o velho Berlusca é um defensor intransigente da moral e dos bons costumes, desde que isso não signifique que ele tenha de se abster de corromper meninas menores de idade, sonegar impostos, fraudar contabilidades, subornar juízes, confraternizar com a Máfia e, last but not least and now, ocultar a santa pedofilia.
Eis que o Ministro da Justiça do probo chanceler, um tal de Angelino Alfano (quão angelical!) resolveu soltar os cachorros para cima de um juiz de Milão, apenas porque o honesto magistrado declarou que jamais recebeu dos vigários de Cristo qualquer denúncia de abusos sexuais praticados por coleguinhas.
Que o ínclito Berlusconi, que mandou cobrir os seios das mulheres de um afresco de Tiepolo mas não se preocupou em cobrir coisa alguma das menininhas que ele corrompeu em sua casa de veraneio, não goste de Pietro Forno, o juiz que disse apenas o que todo mundo já sabe, é natural, nada desagrada mais ao Berlusca do que um juiz honesto. Mas daí a achar que com isso vai esconder o afamado sol mediterrâneo, que brilha tanto sobre a Sardenha quanto sobre a Santa Sé, com a peneira furada da intimidação, é um erro de cálculo.
Se Sua teuta Santidade vier a dançar, muito da culpa será de amigos como o Berlusca...

segunda-feira, 29 de março de 2010

Sobe para 160 o número de vítimas...


Sobe para 160 o número de vítimas... foi a manchete que li outro dia no bom e velho JB. Com os terremotos do Haiti e do Chile, desde o início do ano que estamos acostumados a essas tristes notícias. Só que não foi terremoto, nem vulcão, nem avalanche, nem enchente em São Paulo. O que subiu foi o número de vítimas de pedofilia num colégio jesuíta alemão, o Canisius, de Berlim.
Será um processo em andamento? Sem qualquer tentativa de graça com os processos civis que pipocam pelo mundo e os processos canônicos que o Santo Bento brecou, todos contra os vigários de Cristo que entenderam muito literalmente a tal história de "deixai vir a mim as crianças". E eu que pensava nos jesuítas como mestres, o Manuel da Nóbrega, o Antônio Vieira com seus sermões, o José de Anchieta, que até hoje não virou santo, embora a Opus Dei franquista e fascista tenha emplacado mais de 100 nas glórias celestes só porque morreram para implantar uma ditadura na Espanha.

Sexo é coisa que não faz mal a ninguém, desde que não haja violência ou coerção. Se esses meninos seduzidos pelos padres tivessem mais de 12, 13 anos (menos que isso é dose, é covardia, é, sejamos claros, coisa de tarado), é possível que nada de mais acontecesse - queiramos ou não, meninos e meninas com mais de 12, 13 anos têm desejo sexual e, mais importante, desejo de dar vazão a esse desejo sexual. Há menos de 100 anos, nesse maravilhoso Ocidente que consideramos o ápice da civilização, menina que não casasse aos 15 anos já começava a preocupar os pais. O que pega então?
Pega que os padres, pastores, rabinos, mulás et caterva enfiam à força na cabeça da garotada que sexo é uma abominação que leva direto para o inferno. Então esses representantes de Deus na Terra levam os garotos (ou garotas, não faz diferença), com as mais hipócritas dissimulações, a praticar aquilo que vai condená-los para sempre e não querem que a garotada pire?
Merecem levar o troco.

domingo, 28 de março de 2010

Nada de novo no front, Orson


É uma história mais do que sabida: em 1938, uma adaptação radiofônica do romance A guerra dos mundos, de H. G. Wells, transmitida por Orson Welles em Nova York sob a forma de noticiário, causou pânico na cidade. Ora, a História sempre se repete, senão como farsa, pelo menos como piada.
Aconteceu agora na Inglaterra do velho Wells. Na pequena ilha de Portland, que fica ao sul da ilha da Bretanha, dita Grã. Parece que por lá existe uma base de submarinos atômicos. Além de uma operosa prefeitura que, um belo dia, resolveu , ao mesmíssimo tempo, distribuir ao povo panfletos sobre exercício de evacuação frente a um acidente atômico e anunciar cortes no fornecimento de água por meio de alto-falantes em carros que percorriam as ruas.
Resultado: pânico geral. A idosa população local (na Inglaterra a "população local" é sempre idosa), que não enxerga nem ouve bem, bombardeada a um só tempo por papelada e berraria, concluiu que os tais submarinos tinham explodido e sobre eles desabava a ucraniana maldição de Chernobyl.
A notícia não esclarece quantos velhinhos foram desta para a melhor.

Só quero lhe dizer que a coisa aqui tá preta

Quando o cardeal Ratzinger era o CEO da CDF (traduzindo, o chefão da Congregatio pro Doctrina Fidei - ou Congregação para a Doutrina da Fé - vulgo Inquisição), parece que andou pisando nos calos de muita gente da sua Santa Madre - agora, que escândalos contra a vetusta instituição pipocam por todos os lados, o que ele, agora Papa, menos recebe é solidariedade.
Também, pudera. Esses santos homens passam a vida infernizando o mundo dizendo que tudo é pecado, e o sexo é o mais nefando pecado de todos, principalmente se perpetrado entre dois homens, e, se um desses homens for imberbe, impentelhe e imbecil (ou seja, um garoto) aí então só pode ser coisa do capeta.
Só que o capeta nada tem a ver com isso. Quem fez essas coisas inomináveis foram os mesmos que as disseram inomináveis, os padres, os colegas de batina do Bento. Aqueles mesmos que garantem que sexo, homossexualismo e pederastia condenam qualquer um às chamas do inferno, sem qualquer possibilidade de remissão, quando estão dando em cima (que eufemismo!!!) de um guri, parecem acreditar que estão fazendo a obra de Deus... a Opus Dei.
Agora, Bento, sujou. Sujou geral. Se vira.
Se eu falar de novo sobre isso por aqui, não reclamem. Assim como explosões no pacificado Iraque e morte de civis no libertado Afeganistão, é coisa que está todo santo (epa!) dia nas páginas dos jornais.

segunda-feira, 22 de março de 2010

As leis de Sua Majestade

Todos sabemos que é proibido morrer no recinto do Parlamento inglês. Ninguém ousará também, sob a pena da lei, colar na carta um selo com a efígie da Rainha de cabeça para baixo . Leis antigas, mas o legislador britânico não descansa, antes vela e vigia. Segundo o Ivan Lessa, desde que a patota do Blair subiu ao poder não se dedicou apenas a matar inocentes no Iraque e no Afeganistão, também incorporou 4.300 novos crimes à legislação de Sua Majestade. 4.300 formas de agir, antes inocentes, que agora dão cadeia.
Um deles é tão óbvio que espanta ainda não ter sido copiado pelas casas legislativas de todo mundo: é absolutamente proibido entrar no que sobrou do Titanic sem a devida permissão de um ministro. Qual ministro eu não sei, mas visto que só uns três ou quatro submersíveis existentes podem descer até lá, sem falar no navião que tem de ficar esperando lá em cima com a tralha toda, se não tomarmos cuidado daqui a pouco todo mundo vai querer tirar uma lasquinha do malfadado transatlântico. Um pedaço do mastro que o Jack agarrava, um carvão da caldeira em que a Rose abrasava, um fragmento dos óculos que o comandante Smith não usava quando o iceberg pintou... não sei, qualquer coisa.
Não podemos permitir.

Indo em frente com astrolábio e tudo

Se vocês virem meu perfil, compreenderão por que eu não sou dotado da menor parcela de sabedoria, muito menos de qualquer traço de civilidade. Que fazer?! - são coisas da vida. Então, não digam que não avisei. Ah, por falar nisso, embora eu me chame Astrolábio e seja mais velho do que qualquer outro astrolábio que nas insalubres águas do blogger navegue, meu nome não estava disponível, então vocês terão de me procurar como astrolabinho. Mais uma vez, c'est la vie. Injusto, mas o mundo é injusto, tão injusto que todo dia um idiota inicia um novo blog. Vamos em frente.