quarta-feira, 7 de abril de 2010

A violência é a maior indecência

Nas notícias de abusos contra menores, praticados com zelo cristão pelos padres mundo afora, sempre uma coisa se destaca: o aspecto sexual. Entretanto, há outro aspecto igualmente grave, ou melhor, muito mais grave, que as notícias, os comentários, os editoriais hipócritas da imprensa conservadora deixam de apontar: a violência.
Vejam na Irlanda, em que crianças pobres, fossem órfãs, abandonadas ou infratoras, eram esquecidas nos estabelecimentos cristãos, onde sofriam exploração como trabalhadores forçados e castigos físicos intimidadores e traumatizantes. A sociedade joga as crianças no lixo e depois se admira do que acontece com elas.
Na Alemanha, o próprio irmão do papa, o bispo Georg Ratzinger, está envolvido: o coro de meninos de Regensburg, por ele comandado, teve sua cota de meninos submetidos aos avanços eróticos de padres excitados, provavelmente num êxtase puríssimo de luz transcendente. O Santo Irmão logo declarou que não sabia de nada.
Bem, os meninos traumatizados, agora adultos, sabiam. E sabiam também que a disciplina, que garantia o silêncio da garotada, era obtida por meio de agressões físicas, sendo que o irmão do papa era um dos que mais batia nos garotos. Diante dessa denúncia, o Ratzinger local acabou admitindo que batia realmente nos meninos, mas que isto lhe dava um peso na consciência.
Ah, então tudo bem. Os meninos ficavam doloridos, intimidados, revoltados , traumatizados, moralmente feridos por aquela violência praticada em nome do Deus que é dito bondoso, desnorteados pela injustiça daquelas agressões, mas o Santo Irmão ficava com um peso na consciência, então não se fala mais nisso.

Nenhum comentário: