quinta-feira, 8 de abril de 2010

Coro Nº 1 - Sem decoro

Para que não digam que nunca falei de música neste blog, aqui estão comentários sobre dois coros de virtuosíssimo propósito, cantar as glórias de Deus nas cerimônias da Igreja.
O primeiro é o Coro da Capela Giulia (ou Júlia, em português), do Vaticano. Neste coro cantava maviosamente o nigeriano Ghinedu Ehiem. Mas o afinado rapaz não se contentava com emular os rouxinóis, também se portava como passarinhos menos nobres, digamos, os vira-bostas ou os bate-cus.
Durante investigações que a polícia italiana fazia sobre corrupção na construção de obras públicas, o nome do jovem corista veio à baila. Não, o rapaz não estava roubando dinheiro do povo (ou seja, não era da patota do Berlusconi); ele apenas providenciava a satisfação de necessidades não exatamente monetárias de pessoas de alta posição envolvidas nas tramoias (essas sim, tanto as pessoas quanto as tramoias, do mais puro estilo berluscônico).
O engenheiro Angelo Balducci era assim, ó, com o papa polaco, o João Paulo II. Pudera, o homem era mais do que importante, um figurão da direita, obra pública na Itália tinha de passar pelas mãos dele. Tanto prestígio tinha o Balducci junto ao Vaticano que fazia parte dos Cavaleiros de Sua Santidade! O que é isso? Não sei, parece que é uma cruza de cavaleiro Templário com prelado da Opus Dei (e, pelo menos no caso do Angelo, com uns toques de drag queen), que tem por função paparicar o papa em cerimônias importantes.
Ora, o Angelo Balducci, além de gostar de botar a mão no dinheiro do povo, gostava também de botar a mão em algo mais substancial, algo este que costuma estar atachado (para usar um termo informático) a moçoilos robustos e saudáveis. Quem é que arranjava esses rapazes para o Cavaleiro de Sua Santidade levar para a cama? O Ghinedu, claro. O eficiente jovem, agenciando um cantor aqui, um seminarista ali, nunca deixava o cavaleiro sem uma lança para segurar.
Sujou porque a vida sexual alternativa do pilar da Igreja veio a público, junto com as roubalheiras nas obras públicas. Sujou geral, mas até agora só o Ghinedu foi punido: expulso do coro papal. Com o berluscônico Balducci, provavelmente, nada acontecerá.
Falo do outro coro em uma outra postagem.

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