segunda-feira, 29 de março de 2010

Sobe para 160 o número de vítimas...


Sobe para 160 o número de vítimas... foi a manchete que li outro dia no bom e velho JB. Com os terremotos do Haiti e do Chile, desde o início do ano que estamos acostumados a essas tristes notícias. Só que não foi terremoto, nem vulcão, nem avalanche, nem enchente em São Paulo. O que subiu foi o número de vítimas de pedofilia num colégio jesuíta alemão, o Canisius, de Berlim.
Será um processo em andamento? Sem qualquer tentativa de graça com os processos civis que pipocam pelo mundo e os processos canônicos que o Santo Bento brecou, todos contra os vigários de Cristo que entenderam muito literalmente a tal história de "deixai vir a mim as crianças". E eu que pensava nos jesuítas como mestres, o Manuel da Nóbrega, o Antônio Vieira com seus sermões, o José de Anchieta, que até hoje não virou santo, embora a Opus Dei franquista e fascista tenha emplacado mais de 100 nas glórias celestes só porque morreram para implantar uma ditadura na Espanha.

Sexo é coisa que não faz mal a ninguém, desde que não haja violência ou coerção. Se esses meninos seduzidos pelos padres tivessem mais de 12, 13 anos (menos que isso é dose, é covardia, é, sejamos claros, coisa de tarado), é possível que nada de mais acontecesse - queiramos ou não, meninos e meninas com mais de 12, 13 anos têm desejo sexual e, mais importante, desejo de dar vazão a esse desejo sexual. Há menos de 100 anos, nesse maravilhoso Ocidente que consideramos o ápice da civilização, menina que não casasse aos 15 anos já começava a preocupar os pais. O que pega então?
Pega que os padres, pastores, rabinos, mulás et caterva enfiam à força na cabeça da garotada que sexo é uma abominação que leva direto para o inferno. Então esses representantes de Deus na Terra levam os garotos (ou garotas, não faz diferença), com as mais hipócritas dissimulações, a praticar aquilo que vai condená-los para sempre e não querem que a garotada pire?
Merecem levar o troco.

domingo, 28 de março de 2010

Nada de novo no front, Orson


É uma história mais do que sabida: em 1938, uma adaptação radiofônica do romance A guerra dos mundos, de H. G. Wells, transmitida por Orson Welles em Nova York sob a forma de noticiário, causou pânico na cidade. Ora, a História sempre se repete, senão como farsa, pelo menos como piada.
Aconteceu agora na Inglaterra do velho Wells. Na pequena ilha de Portland, que fica ao sul da ilha da Bretanha, dita Grã. Parece que por lá existe uma base de submarinos atômicos. Além de uma operosa prefeitura que, um belo dia, resolveu , ao mesmíssimo tempo, distribuir ao povo panfletos sobre exercício de evacuação frente a um acidente atômico e anunciar cortes no fornecimento de água por meio de alto-falantes em carros que percorriam as ruas.
Resultado: pânico geral. A idosa população local (na Inglaterra a "população local" é sempre idosa), que não enxerga nem ouve bem, bombardeada a um só tempo por papelada e berraria, concluiu que os tais submarinos tinham explodido e sobre eles desabava a ucraniana maldição de Chernobyl.
A notícia não esclarece quantos velhinhos foram desta para a melhor.

Só quero lhe dizer que a coisa aqui tá preta

Quando o cardeal Ratzinger era o CEO da CDF (traduzindo, o chefão da Congregatio pro Doctrina Fidei - ou Congregação para a Doutrina da Fé - vulgo Inquisição), parece que andou pisando nos calos de muita gente da sua Santa Madre - agora, que escândalos contra a vetusta instituição pipocam por todos os lados, o que ele, agora Papa, menos recebe é solidariedade.
Também, pudera. Esses santos homens passam a vida infernizando o mundo dizendo que tudo é pecado, e o sexo é o mais nefando pecado de todos, principalmente se perpetrado entre dois homens, e, se um desses homens for imberbe, impentelhe e imbecil (ou seja, um garoto) aí então só pode ser coisa do capeta.
Só que o capeta nada tem a ver com isso. Quem fez essas coisas inomináveis foram os mesmos que as disseram inomináveis, os padres, os colegas de batina do Bento. Aqueles mesmos que garantem que sexo, homossexualismo e pederastia condenam qualquer um às chamas do inferno, sem qualquer possibilidade de remissão, quando estão dando em cima (que eufemismo!!!) de um guri, parecem acreditar que estão fazendo a obra de Deus... a Opus Dei.
Agora, Bento, sujou. Sujou geral. Se vira.
Se eu falar de novo sobre isso por aqui, não reclamem. Assim como explosões no pacificado Iraque e morte de civis no libertado Afeganistão, é coisa que está todo santo (epa!) dia nas páginas dos jornais.

segunda-feira, 22 de março de 2010

As leis de Sua Majestade

Todos sabemos que é proibido morrer no recinto do Parlamento inglês. Ninguém ousará também, sob a pena da lei, colar na carta um selo com a efígie da Rainha de cabeça para baixo . Leis antigas, mas o legislador britânico não descansa, antes vela e vigia. Segundo o Ivan Lessa, desde que a patota do Blair subiu ao poder não se dedicou apenas a matar inocentes no Iraque e no Afeganistão, também incorporou 4.300 novos crimes à legislação de Sua Majestade. 4.300 formas de agir, antes inocentes, que agora dão cadeia.
Um deles é tão óbvio que espanta ainda não ter sido copiado pelas casas legislativas de todo mundo: é absolutamente proibido entrar no que sobrou do Titanic sem a devida permissão de um ministro. Qual ministro eu não sei, mas visto que só uns três ou quatro submersíveis existentes podem descer até lá, sem falar no navião que tem de ficar esperando lá em cima com a tralha toda, se não tomarmos cuidado daqui a pouco todo mundo vai querer tirar uma lasquinha do malfadado transatlântico. Um pedaço do mastro que o Jack agarrava, um carvão da caldeira em que a Rose abrasava, um fragmento dos óculos que o comandante Smith não usava quando o iceberg pintou... não sei, qualquer coisa.
Não podemos permitir.

Indo em frente com astrolábio e tudo

Se vocês virem meu perfil, compreenderão por que eu não sou dotado da menor parcela de sabedoria, muito menos de qualquer traço de civilidade. Que fazer?! - são coisas da vida. Então, não digam que não avisei. Ah, por falar nisso, embora eu me chame Astrolábio e seja mais velho do que qualquer outro astrolábio que nas insalubres águas do blogger navegue, meu nome não estava disponível, então vocês terão de me procurar como astrolabinho. Mais uma vez, c'est la vie. Injusto, mas o mundo é injusto, tão injusto que todo dia um idiota inicia um novo blog. Vamos em frente.